Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Início do conteúdo

A mobília palaciana e a Casa de Correção

O segundo autor homenageado na série contornos é, na verdade, um local: a antiga penitenciária da capital gaúcha

19748838
Casa de Correção de Porto Alegre

O novo Palácio do Governo ainda não estava pronto quando o então presidente do Estado, Borges de Medeiros, iniciou a encomenda do mobiliário. Em 17 de maio de 1921, parte do prédio ainda se encontrava em construção, mas o primeiro pavimento já estava completo, inclusive com mesas de trabalho. O Estado encomendou móveis de diversos locais, como a famosa empresa Jamardo e Irmãos, mas um dos lugares escolhidos para fazer parte dos pedidos tem uma história curiosa: a Casa de Correção de Porto Alegre, a antiga penitenciária da capital gaúcha.

O antigo presídio da capital, chamado de “cadeia velha”, não estava mais em funcionamento, e a cidade precisava de um novo local para abrigar seus apenados. Em 1831, um decreto estadual autorizou a criação de uma cadeia pública, mas a Revolução Farroupilha (1835-1845) impediu sua construção. Em 1842, o presidente do Estado Luis Alves de Lima e Silva, conhecido como Duque de Caxias, autorizou o início das obras. 

Em 1852, de acordo com o historiador Sérgio da Costa Franco, autor de Porto Alegre: Guia Histórico, assentou-se a pedra fundamental da Instituição Pública de Re-educação Social, o novo presídio. O local escolhido foi uma área mais afastada da cidade na época, conhecida como ponta, ao lado de onde depois se construiu a Usina do Gasômetro, prédio preservado até hoje. O presidente do Estado, Cansanção de Sinimbu, durante a inauguração do local afirmava que ele era “espaçoso, arejado e seguro”.

serracc
Oficina de Serralheria da Casa de Correção de Porto Alegre
Entre sua abertura e o final da escravatura, em 1888, era o local para onde enviavam escravos que cometiam delitos e, também, alguns imigrantes. Depois dessa data, passou a abrigar um maior número de apenados. No decorrer do tempo, a prisão passou a ter oficinas para os apenados trabalharem. A professora e historiadora Regina Portella conta que o local oferecia cursos de marcenaria, carpintaria, serralheria, palhas, fotografia, jardinagem, arames, mosaico, barbearia, alfaiataria, padaria e cozinha. “A Casa de Correção tinha uma direção voltada para o trabalho, estudo e cooperação entre os apenados”, afirma.

Nas oficinas, os detentos produziam objetos para a própria Casa de Correção, mas também aceitavam encomendas particulares e faziam mobílias para o Estado. O lucro era dividido entre a instituição, o governo e também utilizado para pagar despesas dos apenados. O governo era um cliente fixo do local. “Eles faziam as classes, cadeiras e armários para as escolas públicas da região”, conta Regina. Por isso, Borges de Medeiros já conhecia o trabalho das oficinas de marcenaria e carpintaria. Assim, quando iniciou o processo de compra de mobiliários para o Piratini, optou por fazer encomendas para a instituição.

Dez conjuntos de mobílias foram encomendadas para o Palácio. Conforme Regina, seis deles tinham mesas e seriam colocados nas Salas de Honra, e quatro eram compostos por birôs, também chamados escrivaninhas, para o Gabinete da Presidência e a sala dos secretários e ajudantes de ordens. Ao todo, 76 móveis da Casa de Correção estão presentes no Palácio Piratini - e, agora, parte deles está apresentada no acervo no site da sede do governo. O mobiliário foi confeccionado em madeira cedro, e seus sofás, poltronas e cadeiras têm detalhes em dourado. Na produção das escrivaninhas e mesas de trabalho também usaram madeira cedro. Os móveis são ornamentados com detalhes em motivos florais. Regina conta que a direção da penitenciária e seus apenados ficaram honrados com os pedidos feitos pela sede do governo gaúcho.

Durante muito tempo, a Casa de Correção abrigou oficinas e serviu como local de ressocialização. Entretanto, devido ao crescimento de Porto Alegre e o aumento populacional, o número de delitos na cidade aumentou, e a população carcerária também. As oficinas fecharam, e as condições do prédio tornaram-se insalubres. 

incendio da repartiçao policia (22)
Notícia sobre incêndio causado pelos presidiários.

Em 1954, um plano de fuga provocou um grande incêndio nas instalações do local, danificando ainda mais o prédio que na época era chamado de “cadeião” ou “casa dos infernos”. Por pressão popular e da imprensa, começou uma campanha contra a manutenção da instituição, que foi fechada e dinamitada em 1962, durante o governo de Leonel Brizola. Os detentos que estavam no local foram transferidos para o novo presídio da capital: o Presídio Central de Porto Alegre.

Texto: Stéfani Fontanive

Edição: Vitor Necchi/Secom

Mais notícias

DSC06852

Primeira temporada da série Encontros chega ao fim

O Palácio Piratini se despede hoje (8) da primeira temporada da série Encontros, em que artistas eram convidados para exibirem seus trabalhos no Palácio Piratini. Com 17 episódios, que mesclam declamação de poemas, danças e músicas, a série trouxe a...

Capa v6 (1)

Palácio Piratini fará sua primeira live

A primeira live oficial dos canais do Palácio Piratini ocorrerá na próxima quarta-feira (13/10) e irá discutir qual o retrato do gaúcho hoje, pergunta que rege a série Retratos do Gaúcho. A conversa contará com a presença de Liliana Cardoso, a...

DSC06868

Artista local é convidado da semana da série Encontros

No episódio da série Encontros desta semana, Lipsen lança o clipe da música Como Pôr do Sol, que contou com produção da equipe do Projeto Centenário do Palácio Piratini. O vídeo está disponível nas redes sociais do Palácio (Facebook e Instagram), no...

Palácio Piratini